Dona Antónia Ferreira: a viúva que apostou na fronteira do Douro
A história do vinho no Douro Superior tem uma figura incontornável no ponto de partida: Dona Antónia Adelaide Ferreira, a «Ferreirinha». Foi ela quem mostrou que a zona mais interior e mais quente do Douro podia dar grande vinho.

Dona Antónia Adelaide Ferreira (1811–1896) enviuvou aos 33 anos e tornou-se a maior empresária do Vinho do Porto do século XIX, chegando a reunir cerca de trinta quintas ao longo do Douro. Numa época em que o negócio do vinho era um mundo de homens, foi uma das figuras mais determinantes da região.
A aposta na fronteira
Em vez de se limitar ao Douro já consagrado, mais a poente, Dona Antónia olhou para leste — para o Douro Superior, a sub-região mais interior e mais quente. Em 1877 fundou a Quinta do Vale Meão, comprando dezenas de parcelas e desbravando cerca de 300 hectares junto a Foz Côa. Era um território exigente, de verões secos e invernos rigorosos, que poucos acreditavam capaz de dar grandes tintos.
O tempo deu-lhe razão. A aposta no Douro Superior mostrou que aquela fronteira quente e agreste podia produzir vinhos de estrutura e de guarda — abrindo caminho a tudo o que viria a nascer mais a leste, incluindo, muito mais tarde, no Vale do Côa.
Da fronteira à garrafa
É a mesma convicção — a de que o Douro Superior dá tintos de guarda — que hoje se materializa nos vinhos de estrutura e estágio em carvalho da Palato do Côa, feitos no mesmo território, mais a leste, no Vale do Côa.
Fontes: Factos históricos confirmados pela casa e registados na base de conhecimento do enólogo. O retrato é de domínio público.