Palato do CôaDouro Superior · Portugal
Adega da Quinta do Palato
Muxagata · Vila Nova de Foz Côa

Quinta do Palato.

22,7 hectares de vinha, seis sócios, e uma adega que só chegou em 2012.

Tudo começou com um vinho.

Em 2007, antes de existir adega própria ou um plano totalmente definido, Carloto Magalhães fez o primeiro vinho com uvas da propriedade. O vinho reuniu amigos, despertou ambição e deu origem a um projeto comum.

Nos primeiros anos não havia adega nem eletricidade: o vinho fez-se e guardou-se na Quinta da Canameira, a vizinha. E as decisões tomavam-se num barraco em Muxagata — o do frango grelhado, com a mesa montada e as cadeiras desencontradas. Era ali que se discutia o futuro. A adega própria só chegou em 2012.

A propriedade chama-se Quinta da Saudade e fica em Muxagata: um anfiteatro virado ao sol, com todas as exposições. A vinha ocupa 22,7 dos 38 hectares — o resto é olival, amendoeiras, pastagens e a charca. Plantados, são 20,9 hectares, e quatro deles são vinha velha.

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Dois vindimadores numa fila, com uma caixa de uva tinta entre eles
Cepa velha em primeiro plano, com a vinha a subir a encosta atrás

A vinha cresceu devagar, parcela a parcela.

Em 2008, no início, havia 9,2 hectares. As outras vinhas vieram depois, plantadas por parcelas, em altitudes e exposições diferentes: a Vinha do Anacoreta, com três hectares de Códega, Alicante e Touriga Franca; a Vinha do Piloto, em 2014, com mais um hectare e meio; e a Canada da Moura, em 2022, onde entraram o Arinto e o Rabigato.

As brancas vivem junto à ribeira, onde o ar é mais fresco: são as últimas a apanhar o sol da manhã e as primeiras a ficar à sombra à tarde. É esse atraso, e essa sombra, que lhes guardam a acidez.

O lettering Palato do Côa gravado na taça

Dar um nome ao vinho.

O nome Palato surgiu como uma solução provisória e acabou por ficar. O primeiro rótulo foi criado por Mariana Castro Lemos e nasceu com dois «P» fortes, origem da primeira identidade visual da marca.

Mais tarde entraram na linguagem gráfica dos rótulos os símbolos ligados aos desportos dos sócios — vela, ténis, golfe, bilhar e ciclismo. E no rótulo das Vinhas do Côa estão as gravuras do vale: os cavalos, os auroques e as cabras que mãos paleolíticas deixaram na rocha de xisto.

A adega da Quinta do Palato ao anoitecer

Uma adega pensada para acompanhar cada vinho.

Construída em 2012, a adega trouxe o vinho para o centro da Quinta. Cubas com controlo de temperatura, uma sala de barricas com temperatura e humidade controladas e tecnologia de acompanhamento permitem trabalhar com precisão sem perder a intervenção humana.

O carvalho francês dá notas mais elegantes; o americano dá baunilha e caramelo. A sala de barricas mantém-se entre 75 e 80 % de humidade: se o ar seca, a água do vinho atravessa os poros da madeira, o álcool concentra-se e obriga a atestos frequentes, com risco de contaminação.

Ovelhas a pastar entre as videiras nuas, no repouso vegetativo

Cuidar da terra é preparar a próxima colheita.

A gestão da Quinta combina práticas tradicionais e acompanhamento técnico: o enrelvamento protege o solo entre as fiadas. E a vinha não se limpa — limpam-na as ovelhas, que entram no repouso vegetativo e comem o que cresceu entre as videiras.

A charca, construída em 2025, é a maior de Muxagata. Serve as vinhas nos períodos mais exigentes e dá água aos animais. Não foi luxo: foi resposta a verões que secam mais cedo do que secavam.

E há uma linha que não se atravessa: as uvas são todas da Quinta, nunca compradas. É isso que mantém a produção normalmente entre cem e cento e trinta mil garrafas por ano — o que a vinha dá, e não mais.

Quem faz o vinho

Carloto Magalhães diante das vinhas da Quinta do Palato

Carloto Magalhães

Enólogo

Carlos Magalhães, mais conhecido no setor como Carloto, é licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em 1992. Nesse mesmo ano começou a trabalhar como consultor de viticultura e enologia, e desde então acompanhou produtores em seis regiões portuguesas, de Trás-os-Montes ao Alentejo. Foi professor de Viticultura e Enologia. Fez o primeiro vinho da Quinta em 2007, e foi dele a proposta que deu origem ao projeto. Acompanha a vinha, define a orientação enológica e responde pela identidade de cada gama.

Paulo Schreck entre as barricas da adega Palato do Côa

Paulo Schreck

Enólogo

Foi aluno de Carloto Magalhães em 1995, na Escola Agrícola de Santo Tirso. Em 2001 foi para França, para Sauternes, onde se formou em enologia e fez quatro vindimas. De regresso a Portugal, integrou a equipa de enologia da Quinta do Carmo, no Alentejo, e trabalhou depois em empresas de vinhos no Porto. Desde 2017 dedica-se em exclusivo ao Palato do Côa: coordena a viticultura e a enologia com Carloto Magalhães e acompanha a área comercial, nos mercados nacional e internacional.

As pessoas

E há uma casta que não aparece em rótulo nenhum.

São as Palatinhas — Lilian, Luísa, Migalha, Susana, Teresinha e Xana. Não vão às reuniões, participam nos jantares sem cerimónia e sabem exatamente quando uma garrafa deve, ou não deve, ser aberta. Mandam em silêncio.

As seis Palatinhas — Lilian, Luísa, Migalha, Susana, Teresinha e Xana — juntas diante da vinha
Pisa a pé, com as pernas marcadas pelo mosto
Uma mão marcada pelo mosto erguida depois da pisa
Camisa e braços marcados pelo trabalho da vindima

Um ano na Quinta

Primavera — rosas no topo das fiadas
Vindima — o corte do cacho, à mão
Vindima — receção das uvas na adega
Lagar — pisa a pé
Estágio — corredor de barricas
Prova — o desenho do lote

Aqui nunca foi só sobre garrafas.

A mesa veio antes da adega: começou num barraco em Muxagata, com cadeiras desencontradas. Hoje a sala de provas tem uma parede a menos — abriu-se para a vinha entrar — e continua a haver quem decida, sem cerimónia, quando uma garrafa deve ou não ser aberta.

Almoço sob os guarda-sóis, com vista para as vinhas
Em resumo

Dez factos.

A Quinta em dez linhas, sem um único adjetivo — cada número pode ser verificado na vinha, na adega ou na ficha técnica.

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